Door of Perception

Jan 13

Luz

Enquanto esperas, debaixo deste Sol frio de Inverno, alguém se despede da solidão. O que lhe espera não são amigos, nem o amor, nem a tristeza nem a alegria. Espera-lhe tudo, espera-lhe o nada. Espera o tempo suficiente para reflectir acerca do tudo, pairando sobre o nada, tal como tu. A diferença, aos olhos da Lua, é imperceptível. Porém, do outro lado da Terra, vêem-te pálido, sentem-te frio. Tu sentes-te bem. Não és tu, não podes ser. A tua espera precede o desconhecido, a outra porta, a outra vida, a outra espera. Não percebes porque razão o teu túmulo é o mais pequeno, mas tu não sabes o que é o infinito. Ninguém sabe. Seguimos pelo primeiro sentido que descobrimos, acelerando cada vez mais, esperando que seja esse o caminho traçado no mapa. Ensinaram-te a andar, deram-te apoio até correres, mas nunca te disseram para onde havias de seguir. Tens um mapa, mas que se foda o mapa, dificilmente o entenderás, caso o encontres.


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